Rússia quer liberar reservas cambiais do Brics, diz presidente do banco central


© Reuters. Elvira Nabiullina, presidente do banco central da Rússia
01/09/2023
REUTERS/Evgenia Novozhenina

MOSCOU (Reuters) – A Rússia quer que o Brics — grupo que reúne nações em desenvolvimento — concorde com a possibilidade de os países que sofrem pressão na balança de pagamentos usarem as reservas cambiais do bloco, disse nesta terça-feira a presidente do banco central russo, Elvira Nabiullina.

O excedente da conta corrente da Rússia encolheu quase 80%, para 50,2 bilhões de dólares em 2023, à medida que as receitas de exportação diminuíram e Moscou perdeu o acesso a cerca de metade de suas reservas em moeda estrangeira, com cerca de 300 bilhões de dólares congelados nos países ocidentais.

O bloco Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas um punhado de outras nações foram convidadas a aderir a partir deste ano. A Rússia é a presidente do Brics em 2024.

Em uma entrevista à agência de notícias RIA, Nabiullina disse que os bancos centrais dos países do Brics se concentrarão mais nas liquidações em moedas nacionais em 2024, criando infra-estruturas de pagamento livres da influência das sanções ocidentais.

Os principais bancos russos foram desligados do sistema de pagamentos globais Swift pouco depois de Moscou ter enviado tropas para a Ucrânia, em fevereiro de 2022, enquanto o Ocidente tentava paralisar o setor financeiro da Rússia.

Nabiullina disse que um conjunto de 100 bilhões de dólares em reservas cambiais dos países do Brics poderia ser usado para apoiar os participantes do grupo, se necessário.

“Temos testado isso anualmente desde 2018 para manter isso em constante prontidão, mas até agora nenhum dos nossos países utilizou isso, não havia necessidade”, disse Nabiullina, segundo a RIA.

“Este ano queremos finalizar as negociações para que os países, caso sofram pressão na balança de pagamentos, possam receber recursos deste fundo em moedas nacionais.”

A última rodada de sanções dos EUA, em dezembro, tornou os acordos transfronteiriços com muitos países mais complicados, porque o risco de sanções secundárias aumentou, disse Nabiullina.

“É hora de intensificar esforços na criação de formas alternativas de pagamento”, disse Nabiullina. “As empresas de todos esses países estão trabalhando nisso.”

(Reportagem de Elena Fabrichnaya e Alexander Marrow)



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